AKINS KINTE: SEXO E POESIA


OUTUBRO/ 2013
ILUSTRAÇÕES COYOTE


Na literatura é autor de livros de poesias e coletâneas literárias como Punga (2007) e Prosa e Poesia Periférica (2008). No cinema dirigiu do curta-metragem Vaguei nos livros e me sujei com a m... toda (2007) e o documentário Várzea a bola rolada na beira do coração (2010). Na música, recentemente participou do elogiado disco de estreia do grupo paulistano Aláfia.


Conhecido por sua poesia gingada e pela maliciosa teatralidade das suas declamações, o jovem poeta Akins Kinte, um dos mais talentosos nomes da nova poesia marginal paulistana, volta a movimentar a cena literária das bordas da capital com mais um interessante capítulo da sua polivalência criativa.


Em parceria com o ilustrador e artista plástico Coyote, a constante busca de Kinte por formas e conteúdos capazes de darem vazão a inquietude da sua produção cultural – acima exemplificadas no rápido resumo que mostra a pluralidade artística do poeta - acabam de ganhar fôlego em um novo projeto: uma coleção de cartões postais (conforme imagens ao lado) com poesias eróticas lançados em São Paulo na primeira semana de outubro. Alguns dos textos publicados já são conhecidos pelos frequentadores das principais noites “literárias” suburbanas da capital, onde Kinte é figura fácil e respeitada.


Se nos saraus sobressai-se a vivacidade das suas performances e a cadência quase musical da sua prosa, nos postais surpreende a bem sucedida dobradinha com as ilustrações de Coyote. Juntos, deixam de lado os moralismos que envolvem o sexo, o erotismo, e não só aguçam o imaginário adulto como também estimulam a reflexão sobre as relações afetivas entre homens e mulheres negros.


Mais explícito do que romântico, mais devasso do que bem comportado, Akins poetiza a sacanagem, e passa por cima da interpretação de que a poesia é o santuário da linguagem. Apesar do respeito, não há palavras proibidas, nas estrofes reinam as brincadeiras envolvendo os duplos sentidos e a afetividade negra a dois.


A escolha pelos cartões postais como plataforma para dar asas as suas poesias revelam acima de tudo a procura do poeta por uma linguagem atual, capaz interagir com as demandas intelectuais contemporâneas do jovem negro brasileiro.


Interessante observar na trajetória de Kinte a busca em ressignificar a imagem - originada na escravidão e reforçada ainda hoje nas diversas formas de relações cotidianas - da sexualidade exagerada, e inata, colada ao corpo negro e que propositalmente reproduz elementos de violência simbólica que muitas vezes condena o corpo negro a morte.


Akins Kinte é verdade, não fala sobre as relações afro-homoafetivas. O protagonismo feminino nas ações de conquista, sedução e prática sexual também ficam em segundo plano nos postais. Ambos os temas bastante presentes nos dias de hoje.


A boa notícia é que este recorte muito em breve será levado aos palcos de São Paulo pela cia. paulistana de teatro Os Crespos, que atualmente desenvolve as últimas etapas do processo de pesquisas e ensaios do projeto Dos Desmanches aos Sonhos – Poética em Legítima Defesa, trilogia sobre as relações afetivas dentro da comunidade negra iniciada com a apresentação do espetáculo Além do Ponto (2010).


Aguardemos.



+ INFO AKINS KINTE


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