A NOVA ETIQUETA DAS RUAS

MODA NEGRA, MASCULINA E CONTEMPORÂNEA


Por Jun Alcantara e Márcio Macedo
Fotos Keith Pearson
Ilustrações Estela Miazzi
OUTUBRO/ 2012


Foi numa noite de terça que quatro rapazes se encontraram num clube dos Jardins em São Paulo. O motivo do encontro era um interesse mútuo por moda e estilo banhados por negritude. Joshua Kissi e Travis Gumbs são os responsáveis pelo site norte-americano Street Etiquette, e visitavam o Brasil a convite da marca Puma. Márcio Macedo, estudante de pós-graduação que reside em Nova Iorque, estava em São Paulo para participar de um colóquio internacional sobre hip hop. O responsável pelo encontro fora o músico Jun Alcantara, que até aquele momento só conhecia os outros três por contatos via Internet. No encontro rápido discutiu-se moda, relações raciais, diferenças entre Brasil e Estados Unidos, dentre outras temáticas que surgiam do fato de sermos os únicos negros (para além de alguns funcionários como seguranças e faxineiros) no espaço daquele clube da região nobre da capital paulista. Jun, no dia seguinte, ainda teve a chance de levar os brothers americanos para um passeio mais off pela cidade com direito a visitas ao Parque do Ibirapuera, Museu Afro Brasil e um rolezinho básico e enclausurante de metrô.


Josh e Travis são duas figuras sofisticadas, mas bastante simples e simpáticas. Jovens negros de ascendência africana e caribenha, respectivamente, eles são moradores do Bronx, bairro ao norte da ilha de Manhattan, Nova Iorque, e vêm se tornando celebridades e referência no quesito moda negra urbana e contemporânea. A fama do site Street Etiquette já era grande na rede há um bom tempo, porém o frenesi em relação ao mesmo se tornou ainda maior após uma reportagem feita pelo diário nova-iorquino The New York Times intitulado Pushing the Boundaries of Black Style (Alargando as Fronteiras do Estilo Negro) e publicada no jornal em agosto de 2011. A grande novidade trazida por essas duas figuras é uma ampliação do que se entende por moda negra masculina e urbana. Ou seja, se você acha que ter estilo é caprichar naquele visual básico composto por tênis pra basquete descoladão, tipo Air Jordan, calça jeans baggy, camiseta larga e boné, é melhor se atualizar. O que o artigo do jornal americano ressalta é justamente a capacidade de Josh e Travis em combinar diferentes estilos e criar algo novo, mas sempre com um toque negro. Neste pequeno artigo, tentamos mostrar que o que nossos amigos do Street Etiquette vêm realizando faz parte de algo mais amplo no cenário da moda negra. Vejamos porque.


A ERA DE OURO DO HIP HOP E A DITADURA DO GANGSTA RAP


O período que cobre a metade dos anos 1980 até meados dos 1990 é até hoje entendido como a época de ouro do hip hop norte-americano. Foi o momento que essa cultura juvenil articulada em expressões corporais (dança de rua), musicais (MC e DJ, rap) e plásticas (graffiti) ganhou o estrelado da mídia de massa via mercado fonográfico após uma gestação de uma década e meia em bairros negros e hispânicos de Nova Iorque como South Bronx, Harlem, Queens e, em menor intensidade, Brooklyn. Como qualquer cultura juvenil, o hip hop possuía uma vestimenta específica que bebia em várias influências distintas e, muitas vezes, díspares: o estilo dos cantores de funk dos anos 1970, dos ídolos de filmes blaxploitation dos anos 1960, como o detetive durão Shaft, dos grupos jamaicanos de reggae, da indumentária afrocêntrica dos ativistas negros dos anos 1960 e 70, dos b-boys e b-girls que lançavam passos contorcidos em rodas de breakdance, fly girls que frequentavam clubes de hip hop como o Harlem World, além de várias outras figuras que mesclavam elementos vindos de outras indumentárias urbanas. O rapper Kool Moe Dee e os componentes do grupo Whodini, por exemplo, usavam blazers, calças sociais e sapatos ou botas. Já o Run DMC e também o rapper LL Cool J (em seus primeiros anos) celebrizaram o visual b-boy (não podemos esquecer da canção My Adidas, do primeiro grupo oriundo do Queens). Chuck D, Flavor Flav e Terminator X do Public Enemy misturavam roupas esportivas com jaquetas camufladas e quepes militares, enquanto Queen Latifah, De La Soul e A Tribe Called Quest combinavam batas africanas estilizadas, filás e calças jeans ou camisas de linho folgadas e sem estampas, com calças de tecidos com temas afro, além da exibição de colares afrocêntricos, um estilo que podia ser verificado também em grupos como Arrested Development, P.M. Dawn e X Clan. Já os manos do Das EFX celebrizaram o uso das botas Timberland com jaquetas e bermudas jeans. Por fim, Foxy Brown, Lil’ Kim, Junior Mafia e Notorious B.I.G. bradavam em suas letras o fato de se vestirem com Gucci e Prada.


O jornalista Nelson George resume bem o estado da arte da moda no hip hop dos anos 1990 ao afirmar em seu livro Hip Hop America que existiam duas tendências na maneira de se vestir dos artistas que, consequentemente, influenciavam o público. “De um lado, há um círculo de tipos descolados, vestidos para impressionar, cujo o realce de uma moda hip hop faz alguém lembrar a deificação de Gucci e outras marcas.” “Mais encorajante são as pessoas que se mantêm na filosofia do ‘faça você mesmo’ que criou o hip hop.” Nesse último grupo estariam o empreendedores negros donos de marcas como Karl Kani, FUBU, Pelle Pelle, Rocawear (de propriedade do rapper Jay-Z), Phat Farm (propriedade do magnata do hip hop Russel Simmons), Sean John (cujo dono é o rapper e empresário Sean Combs) dentre outras.


No início do anos 1990 ocorreu a ascensão do gangsta rap, cujo os primeiros expoentes eram grupos originários da costa oeste dos Estados Unidos, como Ice T, N.W.A. (Niggers With Attitude), C.M.W. (Comptons Most Wanted), dentre outros. O que deu fama e autenticidade ao gangsta rap foi sua verborragia mal educada, sexualizada e raivosa, resultado da epidemia de crack que varria os EUA à época. Assim como outros estilos, ele também trazia uma indumentária específica incorporada nas calças jeans baggy, que eram grandes o suficiente para ficar caindo, mostrando cuecas boxers ou samba-canção. Diz a lenda que as mesmas são originárias de uma “cultura de cadeia”, onde a maioria dos detentos usavam calças folgadas e caindo devido a proibição, por medidas de segurança, do uso de cintos. O visual se complementava com camisetas também largas, bonés de beisebol e tênis leves como Puma cano baixo ou Converse Chuck Taylor (mais conhecido como All Star).


A crítica cultural Tricia Rose, em seu livro de 2008, Hip Hop Wars, mostra como a indústria fonográfica americana foi responsável por um processo de padronização do hip hop comercial em apenas um estilo, deixando outros de fora. O Gangsta rap, com sua inicial postura crítica e desafiadora do status quo e letras versando sobre masculinidade extremada, violência, drogas, sexo e gangues foi escolhido como o estilo a ser divulgado e investido em massa pelas gravadoras. Esse processo se deu devido às mudanças no mercado fonográfico, onde novas leis permitiram a fusão e compra de vários pequenos selos, gravadoras, rádios e TVs, o que permitiu que poucas empresas tivessem o controle da indústria fonográfica e, consequentemente, delimitasse o tipo de estilos musicais a serem produzidos e tocados. Ou seja, a diversidade de gêneros foi reduzida e o hip hop como um todo passou a ser identificado somente através dos elementos valorizados no gangsta rap. Nascia a ditadura do estilo gangsta.


Autores como o teórico em cultura popular Gerald Early e a socióloga Patricia Collins afirmam que a cultura hip hop é tomada como uma representação fiel do que seria toda a população afro-americana, algo que ganhou a formulação de “black authenticity” (autenticidade negra) e que se nutre de imagens estereotipadas da classe trabalhadora e urbana negra. Nessa representação distorcida dos negros urbanos, a imagética de jovens tem sido associada por um tempo considerável ao modo de se vestir muito próximo do gangsta rap, em que determinados elementos foram estandardizados e passaram a ser sinônimo de moda negra urbana, como calças jeans largas (incluindo o famoso sagging: ato de usar as calças abaixo da cintura mostrando a roupa de baixo), tênis de cano alto para basquete, camisetas e camisas largas, bonés de times de beisebol ou futebol americano, moletons com capuz (hoodies) e jaquetas. A moda negra e urbana “padrão” a partir dessa época passou a ser, para o bem e para o mal, a forma de se vestir da classe trabalhadora afro-americana, excluindo daí as vestimentas mais associadas aos negro/as das classes média e alta, além de outros estilos urbanos não necessariamente nascidos no universo do hip hop.


BLACK DANDIES, JAZZ MUSICIANS, ROCKERS, RASTAFARIS...


Com certeza você já viu algum mano andando pelas ruas de São Paulo ou em alguma balada todo ornamentado a la blazer, camisa e gravata borboleta. O visual pode ser visto em videoclipes recentes de hip hop e R&B norte-americanos, sempre apresentado como elementos de bom gosto e elegância. Entretanto, o que ninguém discute é como esse tipo de vestimenta tem seu modelo retirado de dândis do século XIX. Em seu livro Sobre a Modernidade (1996) o poeta e crítico de arte francês Charles Baudelaire classifica o dândi como uma figura de transição, um aristocrata que busca estabelecer seu lugar de distinção social numa sociedade em vias de se tornar efetivamente democrática. Eis aí a razão do dândi ser um homem obcecado por estilo e aparência, elementos que confirmariam sua sofisticação e ascendência aristocrática numa sociedade em mudança.


A figura do black dandy (dândi negro) tem sido usada há mais de cem anos para trazer dignidade à população negra da Diáspora Africana. Um dos mais famosos black dandies foi o intelectual afro-americano W.E.B. Du Bois (1868-1963). Du Bois era sociólogo de formação tendo realizado parte dos seus estudos na Alemanha e obtendo um doutorado pela Harvard University. Em seu eruditismo ele era visto como um símbolo de sofisticação cultural e intelectual. Nesse sentido, a vestimenta era entendida como a corporificação do lugar social de Du Bois. Ao mesmo tempo, suas roupas serviam como uma espécie de proteção simbólica contra o racismo norte-americano da época, que não via homens e mulheres negras como seres humanos. Essas questões são trabalhadas de forma analítica e descritiva por Monica Miller em seu livro Slaves To Fashion: Black Dandyism and the Styling of Diasporic Identity (2009). A autora mostra como o termo “black dandy” era aplicado a Du Bois, na verdade, tentando caricaturá-lo, apresentando-o como um negro “macaqueando” o estilo de vestir dos brancos de classe alta. Contudo, o que autora defende em seu livro é que o significado incorporado na vestimenta de alta classe tinha um valor de elevação social e humana para a população negra. Um dos primeiros atos de negros escravizados após obterem sua alforria era justamente comprar novas roupas que marcassem seu novo status social. Miller evidencia como a figura do black dandy, desde o século XIX, passou a ser utilizada por diferentes indivíduos negros ao redor da diáspora trazendo novos significados a essa vestimenta e como ela tem sido reatualizada por cantores de R&B e hip hop atuais: um exemplo é o rapper e ator do grupo Outkast, Andre 3000.


LA incorporação do black dandy a nova imagética popular negra tem sido possível pela mudança que vem ocorrendo na música e artes negras dos anos 2000 para cá. Novas sonoridades, novos artistas e, conseqüentemente, novas roupas inspiradas em figurinos antigos que tentam se esquivar da calça e camiseta larga vistas no gangsta rap. Assim sendo, as influências podem vir do estilo refinado e cool dos músicos de jazz na década de 1950, dos arruaceiros rude boys jamaicanos na década de 1960, com suas calças curtas e chapéus pork pie, assim como o estilo vanguardista e cabelos dos músicos rastafari na década de 1970. Artistas que se mantiveram ou que saíram do underground, como Jean-Michel Basquiat e fotos antigas de pessoas estilosas ao redor do mundo, ao longo de várias décadas, são outras fontes de inspiração. Até mesmo estéticas diferenciadas dentro da própria cultura hip hop, que também foram ofuscadas pelo gangsta rap, estão sendo redescobertas e incorporadas: o visual do já citado grupo Arrested Development e os cabelos dos membros do De La Soul no início da década de 1990 que o digam. De forma sofisticada, tudo isso e mais aquilo que puder servir de inspiração está sendo adaptado ao estilo de hoje.


As referências mais óbvias quando se fala na mudança do visual da cultura hip hop são Pharrell e Kanye West. Ambos possuem uma postura diferente da maioria dos artistas de rap, menos intimidadora e mais sofisticada. Ambos não só flertaram, mas fizeram parcerias com marcas importantes do mundo da moda. Pharrell desenvolveu jóias e óculos para a marca Louis Vuitton. Kanye West, também para a Louis Vuitton, desenvolveu uma série limitada – e caríssima – de tênis. West foi além e, na segunda metade da década de 2000, passou a usar calças, jaquetas e camisetas mais ajustadas ao corpo. Isso provocou o desgosto de muitos, como deu margem a comentários e provocações, vindas não só dos ouvintes, mas de outros artistas de rap. Em 2007, Prodigy, membro do duo Mobb Deep, disse em entrevista a uma rádio que não havia necessidade de a polícia ir atrás de caras como Kanye West porque suas roupas são tão apertadas que daria pra ver de longe se ele estava armado ou não. Para eles, Kanye West “queimava o filme”, manchava a imagem dos rappers, que comumente se apresentavam como homens durões e viam nas roupas justas uma ameaça a sua masculinidade. Na verdade, o que incomodava Prodigy e outros artistas não partidários do modo de se vestir de West era que seu estilo deixava menos evidente uma certa hiper masculinidade vigente em boa parte do hip hop: não é a toa que os termos mais usados para desqualificar West à época foram poser ou fag (viado), devido a sua preocupação com a aparência. Mas o repúdio não foi maior que a aceitação, e o estilo sofisticado de West ganhou adeptos do público e artistas do cenário do rap e do R&B.


Em menor escala, uma nova geração de rappers de Chicago também quebrava a hegemonia das roupas largas e atitude intimidadora. Kid Cudi, que posteriormente se tornaria pupilo de Kanye West, e Hollywood Holt foram alguns deles. Mas o maior representante dessa onda de Chicago foi a dupla The Cool Kids, que de forma declarada trazia de volta o visual pré-gangsta do hip hop. Mikey Rocks e Chuck Inglish levavam junto ao corpo calças realmente apertadas, bonés snapback, jeans acid wash e os primeiros tênis Air Jordan. Ao invés de correntes de ouro cravadas com pedras preciosas valendo milhares de dólares e carros de luxo, falavam sobre correntes douradas baratas, bicicletas e mobiletes.


A nova onda do visual negro faz lembrar o boom do punk, que teve seu auge em 1977. Além da criação do próprio punk como música e estética, ele trouxe consigo um revival de várias outras subculturas que a precederam. Daí, junto a outros fatores e influências, nasceu uma nova geração de skinheads, mods, rockers e teddy boys. Assim como o punk, essa nova onda traz à tona as variadas estéticas negras que precederam o visual gangsta e que, por ele, foram ofuscadas.


É importante notar que essa nova onda do visual negro urbano não gerou uma subcultura. A propósito, ela não traz consigo uma estética pré-estabelecida, gosto musical comum ou hábitos semelhantes. Mas isso não quer dizer que os adeptos não compartilhem certas preferências e que não seja possível observar várias características comuns entre eles, que vão além das roupas mais ajustadas. A aura retrô e “desmodernizada” de seus visuais é bem óbvia. Camisas, uma enorme variedade de sapatos e botas, blazers, jaquetas varsity e peças de alfaiataria são muito usadas, mas não são suficientes para definir o visual de ninguém. A liberdade, acompanhada da preocupação com o caimento perfeito de cada peça escolhida, é a característica principal desse novo fenômeno. Mas quem pensa que a preferência por peças clássicas anula o uso de peças esportivas e práticas, se engana. Tênis Nike e New Balance, moletons com capuz, regatas e outras peças do tipo ganham um novo significado. Com um cuidado especial, elas entram de forma natural no contexto do vestuário e não destoam dos outros elementos.


Dentro deste universo, também não existe a obsessão por marcas famosas e caras. Não há problema em pagar caro numa peça, desde que ela valha o que foi pago. Mais importante ainda: não há problema algum em comprar peças baratas e velhas, garimpadas em brechós do bairro. Tudo é válido e pode ser usado. Peças velhas e novas, caras e baratas, tem o mesmo nível de importância e são usadas em um mesmo visual. O que importa de verdade é o resultado final. O padrão imposto pelo gangsta rap estava mais ligado a um visual clean, com Nike Air Force One limpíssimos, correntes brilhantes, barbas e cabelos milimetricamente delineados (o famoso “pezinho”). As combinações não eram pensadas muito além de tênis, camiseta e boné nas mesmas cores. Nessa nova onda, o auto-refinamento é primordial. Busca-se conhecer os diferentes tipos de cortes, tecidos, padronagens, cores e, principalmente, como combinar tudo isso de forma harmoniosa, seja para dar um rolê à noite com os amigos, ir a eventos formais, onde um terno é exigido, ou para enfrentar um dia duro de trabalho. Alfaiates são verdadeiros aliados, sempre procurados para fazer com que cada peça fique perfeitamente ajustada ao corpo.


Outros aliados importantes desses jovens são as novas tecnologias de informação surgidas com a internet como blogs, redes sociais, Twitter dentre outros. Mas uma ferramenta de destaque nesse universo é o Tumblr. Essa rede social permite que, ao criar sua conta, você consiga seguir outros usuários e acompanhar as publicações de todos eles numa única página, chamada dashboard. Seguindo os tumblrs certos, você tem a sua disposição uma enxurrada de fotos, vídeos e textos inacreditavelmente variados, sobre uma infinidade de temas. Ao favoritar as melhores publicações, você tem, pronto, um mural cheio de inspirações que poderão servir como referência para seus futuros visuais. Todas essas ferramentas democratizaram o acesso a novos modelos de vestimenta, uma vez que, anteriormente, para se manter informado sobre o que era usado nos grandes centros como Nova Iorque e Paris, era preciso comprar revistas importadas e extremamente caras. Hoje, basta apenas um computador e uma boa conexão para que a informação seja acessada do conforto do lar.


A negritude abundante do novo estilo é uma das marcas que mais chamam a atenção e ela pode ser constatada na forma como os cabelos crespos, devidamente assumidos, são incorporados nessa nova estética. Tranças enraizadas e afros redondos existem, mas não exercem a supremacia de outrora. O grande lance é explorar ao máximo todas as possibilidades que o cabelo crespo proporciona. Os dreadlocks reinam, mas não de forma óbvia. Eles são vistos em todo tipo de formato: achatados, redondos, pontudos, cacheados e nos mais variados cortes, combinadas a partes curtas e até raspadas (geralmente as laterais). Além disso, afros esvoaçantes e penteados, high-tops assimétricos, dreadlocks trançados e até cortes certinhos, à moda Miles Davis na década de 1950, fazem sucesso. Outro aspecto dessa negritude está presente nas padronagens nos tecidos, em peças típicas e adornos africanos.
Faça Você Mesmo!


A quase totalidade de roupas e acessórios que compõem o guarda-roupa do novo estilo negro já pode ser adquirida novinha em folha nos Estados Unidos e na Europa, através de lojas de departamentos como H&M, redes mais descoladas como Urban Outfitters, Topman e várias outras lojas e marcas que comercializam seus produtos pela Internet. No Brasil, o acesso a esse tipo de vestuário ainda é restrito e caro. Contudo, como se verificou através do artigo acima, o componente principal do novo estilo negro não são marcas propriamente ditas, mas sim a criatividade vista na manipulação de vários estilos distintos. Em suma, é necessário informação, que pode ser obtida através de imagens e textos na web, e originalidade na manipulação dos estilos. Roupas antigas podem ser conseguidas através de brechós e/ou produzidas sob encomenda (eis a volta daquela figura que pensamos que iria desaparecer: o alfaiate). Enfim, o novo estilo negro se coloca como uma possibilidade de valorização da negritude na forma de se vestir sem necessariamente escrever um manifesto político nas roupas e/ou reproduzir estereótipos. Ao mesmo tempo, ele é ainda no Brasil um campo aberto de possibilidades para empreendedore/as negro/as jovens, urbanos e sintonizados com a moda contemporânea. O sucesso de Josh e Travis com o Street Etiquette é um bom exemplo a ser seguido.


PARA VER E LER


Streetstyle: from Sidewalk to Catwalk.
Ted Polhelmus
Thames & Hudson
New York, 1994.


New African Fashion.
Helen Jennings
Prestel Pubshing
New York, 2011.


STREET ETIQUETTE



JUN ALCANTARA é estudante de graduação em música e responsável pelo blog UBORA


MÁRCIO MACEDO (KIBE) é estudante de Ph.D. em sociologia na The New School for Social Research (NYC) e bolsista CAPES doutorado pleno no exterior. Escreve no blog NEW YORK KIBE

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