PEDAGOGINGA, AUTONOMIA E MOCAMBAGEM

MAIS REFLEXÃO, MENOS ESPETÁCULO


TEXTO NABOR JR.
OUTUBRO/ 2013


A Lei 10.639/03, que garante a obrigatoriedade da inclusão no currículo oficial da Rede de Ensino nacional a temática da História e Cultura Afro-brasileira, completa em 2013 uma década desde a sua promulgação. Mas será que realmente avançamos desde então? Qual a reflexão que podemos fazer deste período? A realidade das salas de aula mudou? E fora dela? As práticas culturais de matrizes africanas estão sendo mais discutidas, respeitadas e compreendidas por nossos estudantes e professores? O racismo e a intolerância religiosa nas escolas são menores hoje do que há dez anos?


E por outro lado, a secular negligência, abandono e violência do Estado para com os negros, pobres e outras minorias, foram capazes de estimular a organização e mobilização da sociedade civil para ações independentes e concretas de transferência de conhecimento, ou mesmo estimularam, entre este grupo, articulações para a efetivação de uma educação para além dos muros da escola? O que querem e como trabalham os antigos e recentes movimentos literários e de valorização da escrita e do aprendizado atuantes nas quebradas? Como construir uma sólida estrutura educacional capaz de, na constante ineficiência do poder público, suprir e, porque não, melhorar a formação de crianças, jovens e adultos negros e moradores da periferia?


São reflexões como estas, entre outras, acrescidas de relatos e experiências humanas e pedagógicas acumuladas entre os anos de 2009 e 2012, período em que a Edições Toró, em parceria com entidades e movimentos socioculturais das bordas da cidade de São Paulo realizou uma série de 8 cursos independentes totalizando mais de 40 encontros nas periferias paulistanas, o recorte do livro Pedagoginga, Autonomia e Mocambagem (2013), do poeta e escritor paulistano Allan da Rosa.


Através de vivências e práticas em educação popular o livro defende a autonomia educacional nas periferias das cidades, discute saídas para a efetiva viabilidade dessas transformações e pede “menos espetáculo e mais trabalho de horta, mais debate do que desejo” nas emergentes ações culturais que dominaram as periferias de São Paulo especialmente a partir dos anos 2000.


Pedagoginga, Autonomia e Mocambagem assume um discurso progressista e de estímulo à reflexão ao sistema educacional do país, deixando o puro e simples ataque as elites e ao governo em terceiro plano. Reforça-se a ideia de que alternativas para uma mudança efetiva nas desigualdades raciais e sociais no país não só podem, como devem, estar fora das salas de aula. E que essa suada transformação porém, está intrínseca a organização, fundamentação e capacitação de entidades e indivíduos quanto as complexidades do tema e também pela superação das tentações do efêmero, que brotam nas esquinas e seduzem os menos avisados.




Pedagoginga, Autonomia e Mocambagem
Coleção Tramas Urbanas
Allan da Rosa
Editora Aeroplano
1º edição
Rio de Janeiro, RJ
2013



LEIA ENTREVISTA COM O AUTOR EM O MENELICK 2º ATO
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