DIALETOLOGIA E TRANSE ETNOGRÁFICO AFRO-BANTU

OS 30 ANOS DO DISCO O CANTO DOS ESCRAVOS



Por Renato Dias
Ilustração Tom Dias
MARÇO/2012



A tradição étnica está presente nas ondas sonoras emitidas pelos cantos evocados por Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca; os atabaques, enxadas, agogôs, caxixis e xequêres chamam os feitiços e o transe nos leva aos nossos ancestrais africanistas.


Para o entendimento filosófico etnomusical e as mirongas bantológicas deste registro, é de suma importância a presença de um espelho étnico-mítico, onde a compreensão desta magias decifram suas cantigas que só com estudos antropológicos não dariam a profundidade destes quebrantos benguelas.


Otê! Padre-Nosso com Ave-Maria, securo camera qui t'Angananzambê, atô
Atô...T'Angananzambê, atô...
Atô...T'Angananzambê, atô...
E calunga qui tom' ossemá,
ê calunga qui tom' Azambi, atô!


O negro, ao começar o trabalho, pede a Deus e à Nossa Senhora que abençoem o seu serviço e sua comida (Trecho retirado do livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais).


Entrego esta resenha aos ancestrais bantos e a meu avô Eudário Santos, que também era garimpeiro na Chapada Diamantina, em Mucugê (BA), e em 1943 achou uma pedra de diamante e veio para a cidade de São Paulo construir sua vida.


Salve a Calunga e o elo que nos une!







PARA OUVIR

O CANTO DOS ESCRAVOS (Eldorado, 1982)
Produção: Aluísio Falcão e Marcus Vinicius de Andrade
Interpretação: Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca
Percussão: Djalma Corrêa, Dom Bira e Papete



PARA LER

Livro: O NEGRO E O GARIMPO EM MINAS GERAIS (Ed. José Olympio, 1943)
Autor: Aires da Mata Machado Filho








Renato Dias é sambista e fundador do Grêmio Recreativo de Resistência Cultural Kolombolo Diá Piratininga.
www.renatodias.com.br


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Doca, Clementina e Geraldão
TOM DIAS (tomdias.com)