SUA PROPAGANDA NÃO VAI ME ENGANAR


* Passados 122 anos da abolição, as imagens referentes ao segmento social afrodescendente nos meios de comunicação continuam mantendo o estigma. Na maioria das vezes, estão associadas a estereótipos, conforme aponta a dissertação de mestrado Racismo anunciado: o negro e a publicidade no Brasil (1985 -2005), de Carlos Augusto de Miranda e Martins, defendida na ECA/USP, em 2009. Nela, Miranda e Martins analisa 1.158 anúncios, dos quais apenas 86 utilizam imagens de negros (as), verificando o modo pelo qual os anúncios são veiculados. Isso significa que apenas 7% dos anúncios referem-se ao segmento afrodescendente.


O pesquisador informa que os negros compõem a maior parte da população brasileira, cerca de 50% da população total, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2007 apud MARTINS, 2009). Assim, poderíamos concluir que as peças publicitárias dos meios de comunicação deveriam veicular as imagens do(a) negro(a) como cidadão(ã) ou como consumidor, mas a realidade é bem outra.


* Trecho do livro O Negro nos Espaços Publicitários Brasileiros: Perspectivas Contemporâneas em Diálogo
Organização Leandro Leonardo Batista e Francisco Leite
São Paulo, SP
2011



50% DA POPULAÇÃO, 7% DE REPRESENTAÇÃO


POR NABOR JR.
NOVEMBRO/ 2013


Se a cor da nossa pele e a condição social dos nossos irmãos são empecilhos para as marcas que consumimos, elas também não nos representam. Atente-se e observe qual a relação da marca que você usa com os princípios étnicos, democráticos e libertários que você defende, e não hesite em boicotar os produtos e empresas que por preconceito e conservadorismo não querem veicular sua imagem com a nossa, apesar de, a todo custo, quererem o nosso dinheiro.


Não financie o racismo institucional. Dê preferência a marcas que respeitam as diferenças, que orgulham-se de ter o negro como consumidor e que reconhecem a fundamental importância da nossa gente na construção da sociedade brasileira. Pratique o exercício da cotas de consumo e atinja a mais sensível ferramenta de dominação do colonialismo contemporâneo, o bolso dos barões.

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