POLÍTICAS MICRO-AFETIVAS E FRONTEIRAS AFRICANAS: MANIFESTO PELA FRAGILIDADE NEGRA





TEXTO PROFETA DA LUZ
NOVEMBRO 2016




Pense rápido e responda: Você conseguiria construir uma simples narrativa situando a realidade da maioria dos negros norte-americanos nos dias de hoje? E sobre o processo imigratório envolvendo a entrada de milhares de africanos em países europeus?


Caso você não tenha respondido de primeira, não se preocupe, muito provavelmente em poucos minutos você terá um insigth sobre algum aspecto de um destes processos. A grande mídia, principal fonte de informação no nosso país, é muito eficaz em apresentar as realidades que mais lhes interessam e notícias vindas dos Estados Unidos e Europa tem larga prioridade diante de pautas envolvendo outros territórios.


Mas se mudássemos de continente e viéssemos para pertinho da gente, e perguntássemos sobre a realidade negra na Argentina, por exemplo, você saberia nos dizer algo? Qualquer coisa que seja?


Pois é, nossos hermanos afro-argentinos enfrentam um processo histórico de invisibilização muito semelhante ao dos afro-brasileiros e, tal qual como nós, com raríssima presença nos livros de história, nos meios de comunicação e em lugares de poder.


O conhecido e violento processo de escravização de negros africanos que trouxe às Américas milhares de homens, mulheres e crianças também serviu para alimentar a mão-de-obra escrava argentina, mesmo o país – propositadamente – renegando a presença negra na sua constituição enquanto nação. Como disse a professora argentina Laura Omega em recente entrevista concedida ao portal Terra: “...(em nosso país) está instalada a ideia de que se você é negro, não é argentino.


É também) por isso, que muito me sensibilizou, conjuntamente com o meu interesse particular enquanto jornalista, o recente contato que tive com o dramaturgo e performer Anderson Feliciano, natural de Belo Horizonte, mas que atualmente cursa mestrado em Dramaturgia na Universidade Nacional das Artes, em Buenos Aires.


Em 2016, junto com o sociólogo, artista e ativista venezuelanx Yosjuan Piña, eles criaram o coletivo Quilombismo Poético, grupo que desenvolve projetos artísticos investigativos focados nas relações de gênero, raça e imigração com especial atenção aos negros que vivem na Argentina.


E uma das ações do grupo foi criar o Manifesto pela Fragilidade Negra, apresentado em um congresso em Buenos Aires no final do ano passado.


Hoje compartilhamos com vocês este documento, que diz muito sobre a realidade negra argentina nos dias de hoje – vista pelos olhos de dois imigrantes negros, é verdade, mas que ilumina a fragilidade das nossas conexões com realidades extremamente próximas a nós, mas que seguem invisíveis aos nossos interesses.





AUTORXS DO MANIFESTO


Anderson Feliciano é dramaturgo e Performer, coordena o LED (Laboratório de Experimentos Dramáticos) e desenvolve um mestrado em Dramaturgia (Universidad Nacional de las Artes - Buenos Aires / Argentina). Tem escrito para coletivos de Brasil, Argentina, Chile, Equador e Itália. No início de 2016 criou com Yosjuan Piña em Buenos Aires o coletivo Quilombismo Poético, com Aline Vila Real é responsável pela curadoria da Mostra Polifônica dos artistas contemporâneos em Belo Horizonte.


Yosjuan Piña Narváez (erchxs) é Negrx en proceso vivo de descolonizción. Migrante-nomádicx, disidente al régimen blanco-hetero-capitalista-colonial. Sociólogx-activista-educadxr popular (de)formadx en la Universidad Central de Venezuela (UCV). Master en epistemología de la(s) Ciencia(s) en el Instituto Venezolano de Investigaciones Científicas (IVIC). Master en estudios críticos: Programa de Estudios Independientes (P.E.I) Museo de Arte Contemporáneo de Barcelona (Macba) y Universidad Autónoma de Barcelona UAB. Doctorante en Ciencias Sociales en la Universidad de Buenos Aires (UBA).

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