JORNALISTAS DISCUTEM DESAFIOS DA IMPRENSA NEGRA EM ENCONTRO NA CIDADE DE SÃO PAULO


FOTOS DIEGO BALBINO
MAIO/ 2014




A revista O Menelick 2º Ato e a AfroeducAÇÃO promoveram no último sábado (17/05), a roda de conversa Diálogos Contemporâneos: A Imprensa Negra Paulista Hoje, Jornalismo X Ativismo, realizada no prédio da Funarte, em São Paulo.


Entre os temas levantados pelos três jornalistas que formaram a mesa do encontro (Paola Prandini, Nabor Jr. e Rosane Borges), estiveram os inúmeros desafios da imprensa negra na contemporaneidade, como a formação e identificação de público, passando pelas escolhas de conteúdo e forma, além da maneira como as plataformas (novas e tradicionais) são utilizadas por jornalistas, organizações da sociedade civil, blogueiros e demais agentes de comunicação na transmissão de informação e conhecimento nos dias atuais.


Tratando especificamente do jornalismo cultural negro e da critica de arte e cultura hoje, Nabor Jr. destacou a urgente necessidade dos meios em entenderem as demandas do leitor do século 21: "Com o advento da internet e a democratização dos meios, a publicação e a circulação da crítica foi facilitada (hoje um crítico pode atuar como um profissional independente, sem vínculos diretos com uma instituição privada ou pública), ao mesmo tempo em que a relação entre crítico e meio também foi redefinida, uma vez que o tamanho físico dos espaços, ao menos na mídia impressa, diminuiu, assim como os interesses intelectuais da população também se transformaram.


A crítica não morreu, mas segue buscando seu espaço. O alto número de visitas em sites dedicados a cobrir o mundo do entretenimento (entretenimento também é cultura e deve ser respeitado como tal), a procura pelos cadernos de cultura nos grandes jornais (os mesmos seguem sendo os mais lidos dos principais jornais do país, vide os cadernos Ilustrada e o Caderno 2, respectivamente da Folha de S. Paulo e do O Estado de S. Paulo) mostram que ainda há possibilidade de estimular o pensamento crítico entre os brasileiros. O desafio da crítica contemporânea é fazer a transição da crítica como experiência, isto é, da crítica pontualmente comprometida no processo de constituição do trabalho de arte, percebendo-o através de uma espessura histórica, para a crítica de hoje, onde vivemos a sua profissionalização, a ascendência crescente das grandes instituições, do mercado de agenciamento e da efemeridade dos fatos e acontecimentos.


Produzir formas e conteúdos atraentes, entender as demandas do leitor contemporâneo sem subjulgar sua inteligência e, principalmente, estabelecer parâmetros capazes de confrontar a nova produção contemporânea sem diminuí-la. Os conflitos sempre existirão, e talvez sejam eles o combustível da boa crítica e do jornalismo em si".


Ao lado fotos do encontro.

http://omenelick2ato.com/files/gimgs/353_imprensa-negra-paulista-funarte-4.jpg
http://omenelick2ato.com/files/gimgs/353_imprensa-negra-paulista-funarte-1.jpg
http://omenelick2ato.com/files/gimgs/353_imprensa-negra-paulista-funarte-2.jpg
http://omenelick2ato.com/files/gimgs/353_imprensa-negra-paulista-funarte-5.jpg
http://omenelick2ato.com/files/gimgs/353_imprensa-negra-paulista-funarte-3.jpg
http://omenelick2ato.com/files/gimgs/353_imprensa-negra-paulista-funarte.jpg