BLACK LUX

UM FESTIVAL DE PERSPECTIVA NEGRA


TEXTO LUCIANE RAMOS SILVA
SETEMBRO/ 2013


Desde o início do mês de setembro a paisagem de Berlim está vivamente escurecida pela vontade criadora de artistas negros atuantes na cena alemã.


Idealizado pelo artista mineiro Wagner Carvalho, o Festival BLACK LUX traz uma programação diversificada entre apresentações de dança, performance, fotografia , instalações, palestras e exibições de filmes. Com debates sobre blackface, migração, racismo em livros infantis, entre outros temas, o festival reafirma a ação perspicaz do curador mineiro no enfrentamento e proposição de debates sobre estética negra e o racismo institucional que afeta as artes da cena.


Entre as obras, marca presença o documentário Zumbi Somos Nós, da Frente 3 de Fevereiro e a performance Women, Part Two: You Might Think I’m Crazy But I’m Serious, da Cia Artincidence, composta por Annabel Gueredrat (Martinica), Ana Pi (Brasil) e Ghyslaine Gau - o feminismo negro é combustível da obra e aparece como tema forte das ultimas criações da coreógrafa-performer Gueredrat – dentre elas, o solo A freak show for S, apresentado no ano passado no Festival Contemporâneo de Dança em São Paulo anunciando uma crítica rasgada sobre os estereótipos que envolvem o corpo da mulher negra.


São vozes, memórias e identidades insurgentes povoando os discursos de corpos que falam por si.

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