SOBRE A CAPA



DEZEMBRO/ 2015



POR JAIME LAURIANO


"O trabalho que desenvolvi para a capa da revista segue uma lógica que venho desenvolvendo nos últimos anos. Tal lógica consiste em utilizar imagens e costumes da cultura popular para questionar a perpetuação da violência institucional (com as suas origens muitas vezes no período colonial) na sociedade brasileira. Com isso, pretendo evidenciar que o simples fato da substituição dos orixás por santos católicos carregam em si uma violência gigantesca, porque esta operação de resistência só se fez necessária por conta da violência da deportação das nações africanas para trabalharem como escravos no Brasil. A percepção desses pequenos gestos de racismo apontam para as estruturas maiores da violência e segregação racial que balizam a sociedade brasileira.


Na imagem que fiz para a capa desta edição da revista O Menelick 2º Ato utilizo a imagem do Orixá Iemanjá, que de origem negra Iorubá é majoritariamente retratada como branca nos festejos brasileiros. Por isso, a sua popularidade é crescente dentro da sociedade brasileira. Este ato de branquear um orixá de origem negra evidencia como se dá a aceitação dos negros na sociedade brasileira, ou seja, para ocorrer tal aceitação, na maioria das vezes, é esquecido, apagado e negligenciado os seus traços raciais. Isto está presente também nos discursos de democracia racial proferidos por intelectuais Brasil a fora".




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