BONS VENTOS ALÉM-MAR


DA REDAÇÃO
DEZEMBRO / 2013


NIGÉRIA / VENEZA - O curador, crítico de arte e ensaísta nigeriano Okwui Enwezor foi anunciado nesta quarta-feira (05) como curador principal da 56ª edição da mais importante bienal de artes do mundo: a Bienal de Veneza, que ocorrerá em 2015.


Diretor do museu Haus der Kunst, em Munique, desde 2011, Enwezor nasceu em Calabar, na Nigéria, em 1963, e mudou-se ainda na década de 80 para os Estados Unidos, onde estudou artes e formou-se Bacharel em ciências políticas pela Universidade de Nova Jersey City.


Quer como teórico quer como curador, é conhecido no universo da arte contemporânea por seu pensamento em torno das questões ligadas ao colonialismo e pós-colonialismo, principalmente através de suas reflexões sobre arquitetura e urbanismo moderno na África, temas os quais deu grande visibilidade no mundo das artes visuais quando em 2002, assumiu a direção artística da importante 11º edição do Documenta, em Kassel, na Alemanha.


Antes do Documenta, quando se tornou mais conhecido, Enwezor já fora diretor da 2ª Bienal de Arte de Joanesburgo, na África do Sul (1996-1998). Também foi curador da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Sevilha, na Espanha (2005-2007), da 7ª Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul (2008) e da Trienal de Arte Contemporânea de Paris (2012).


Consta também em sua biografia a fundação, em 1994, junto com outros críticos africanos Chika Okeke, Agulu e Salah Hassan, do NKA (Journal of Contemporary African Art), atualmente publicado pela Duke University Press.


O tema da próxima edição da Bienal de Veneza ainda não foi anunciado. No site da bienal lê-se apenas uma curta declaração de Enwezor: “Nenhum evento ou exposição de arte contemporânea existiu continuamente na confluência de tantas mudanças históricas nos territórios da arte, da política, da tecnologia e da economia como a Bienal de Veneza [fundada em 1895]. É o sítio ideal onde explorar todos estes campos dialéticos de referência e a instituição da própria Bienal será uma fonte de inspiração no planeamento da exposição”.


Vale lembrar que na última edição da Bienal de Veneza, quando da estreia de Angola na mostra, o pavilhão representado pelo país ganhou o Leão de Ouro da mostra (o mais importante prêmio do evento).


Ainda digerindo a desconsolante "passagem" do líder sul-africano Nelson Mandela (1918 - 2013), é sempre reconfortante e animador observar que a África e os africanos, sempre a duras penas, tal qual a esmagadora maioria de negros ao redor do mundo, alcançam visibilidade mundial por notícias boas em contraste com a permanente imagem de miséria, pobreza e corrupção, permanente e deliberadamente retratadas nas mídias ocidentais.

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OKWUI ENWEZOR