IMAGENS LATENTES – CIVILIZAÇÃO, CHARME E OUTRAS EPIDERMES DO SENEGAL



TEXTO E FOTOS LUCIANE RAMOS-SILVA
JANEIRO/ 2016



Subsistem no imaginário brasileiro marcas profundas e memórias rasas da ideia única sobre as Áfricas. Retratos de falência e desespero que guardadas as proporções de veracidade são fruto da herança colonial, bem como do imperialismo ocidental e seus modelos de progresso e desenvolvimento.


Descontruir a visão hegemônica disseminada pelos espaços bem sucedidos do Ocidente implica em revisitar a presença africana na história mundial, mas também perceber as potencialidades reais de um continente em transformação e sua participação no capitalismo contemporâneo e nas trocas culturais - sem perder a percepção das relações de força.


Um cotidiano de clichês insiste em prevalecer: A África natural, pitoresca, autêntica, exuberante, primitiva, hiper-sexualizada, inata, de descomunal resistência física, incapaz de se desenvolver. Nega-se sua alteridade em prol de um modelo de civilidade. Todo esse pacote de certezas sobre o que os povos de lá “são” rebate diretamente na percepção sobre os povos negros daqui. Reconhecer o corpo negro como portador de conhecimento é exercício que apenas as militâncias e alguns setores muito específicos da academia têm empreendido.


É importante problematizar as relações até hoje construídas com o continente, fortalecer as pontes de conexão sul-sul e descobrir as diversidades de sua dimensão concretamente continental, labiríntica, multifacetada e inquieta - mais que reforçar o exotismo do outro. E afinal, quão “outras” são essas Áfricas para o Brasil?


ESPELHOS EM MOVIMENTO


País da África do Oeste geograficamente mais próximo das Américas, o Senegal é pouco menor que o estado do Paraná. São sete horas reais de distância partindo de São Paulo, ou aproximadamente 20 horas tendo em vista que não existem mais voos diretos até Dakar, dada a ausência de companhias aéreas brasileiras interessadas em manter voos regulares ao continente.


Numa rápida pincelada sobre a história do país, lembramos que entre os séculos 13, 14 e 15, a região testemunhou sucessões de importantes Impérios: Império do Mali, Wolof e Toucouleur são alguns deles. No decorrer do período mercantilista o tráfico de escravos envolveu portugueses, holandeses, ingleses e franceses em disputa. Após a Conferência de Berlim (1884/1885) o Estado francês criaria a chamada África Ocidental Francesa, organizando suas possessões em unidades territoriais denominadas comunas. O atual território do Senegal sediou as quatro primeiras dessas organizações. Eram as cidades de Saint-Louis, Dakar, Goré e Rufisque – ainda hoje suas arquiteturas conservam reminiscências daqueles tempos coloniais.


Por força da missão civilizadora francesa baseada na assimilação e uniformização cultural, o francês tornou-se língua oficial, estendendo-se para a educação formal, a despeito das outras línguas faladas no território, entre elas o wolof, serere, fulani, mandinka e diola. Como instrumento de persuasão e controle, o governo colonial disseminava a ilusão de que os senegaleses eram descendentes dos gauleses, tal qual o povo francês. Mas, para desconsolo dos esforços metropolitanos, a cultura das línguas locais de afetos e raízes profundas permanecia viva e predominava no tecido social.


Leopold Sedar Senghor (1906 -2001), poeta, intelectual e primeiro presidente do Senegal independente, almejava o encontro de diversas culturas com as africanas, numa perspectiva de doação e recebimento. Propôs ações ímpares no campo das artes, como a fundação da primeira escola pan-africana de dança – o Mudra Afrique, dirigido pelo coreógrafo belga Maurice Bejard (1927 -2007) ao lado da bailarina e coreógrafa Germaine Acogny. Criou junto a Aimé Césaire (1913 – 2008) a Negritude, movimento que reforçava as caraterísticas, valores e estéticas compartilhadas pelas populações negras em África e na diáspora. A trajetória de Senghor foi marcada também por contradições ao longo de sua atuação como chefe de Estado, onde manteve uma política de aliança e suporte à ex-metrópole. Não por acaso a França seguiu como única parceira financeira do país, gestora oficial da moeda, o CFA, entre outras benesses que garantia monopólios à França e ao Senegal o eterno papel de fornecedor de matéria prima.


O país possui uma trajetória democrática estável, testemunhando ao logo da história poucas circunstâncias de violência ou conflitos, se comparado com muitos dos seus vizinhos da África do Oeste. Exceção feita pelos fatos ocorridos na região de Casamance, sul do país, onde um movimento democrático existente desde os anos de 1980 confrontou as forças do governo.


Cerca de 94% da população é muçulmana. Um islã africanizado e com feições derivadas da tradição Sufi - o chamado Muridismo, organizado em confrarias ou irmandades sob o comando de um líder espiritual - o marabu.


Há infinidades de desafios para o desenvolvimento - economia dependente do setor primário, parcos investimentos em melhorias no secundário e indicadores sociais complicados no campo da saúde, educação, saneamento e infraestrutura – falta de energia elétrica, lixo pelas ruas e enchentes são fenômenos comuns. Parece importante compreender essa “crise” de perto e não somente através das lentes da mídia oficial – que fortalece a visão paternalista de que a as nações africanas precisam ser salvas pelo Ocidente.


"NÓS VAMOS GANHAR ESSA GUERRA PORQUE NÃO VAMOS ESPERAR AS AUTORIDADES PARA FAZER O QUE QUEREMOS FAZER"

(Depoimento de Madzoo, grafiteiro senegalês, no documentário 100% Dakar)


Existe um movimento de mudança reivindicado pela juventude senegalesa, apesar da ainda frágil sociedade civil local. Essa nova geração, consciente da engrenagem histórica, pouco a pouco desfaz o sonho de partir para a Europa e quer investir no país; ela sabe dos conflitos, mas está disposta a encará-los com criatividade.


Os protestos dessa juventude em Dakar contra a recandidatura do então presidente Abdoulaye Wade, em 2012, chamados pelas mídias sociais de Primavera Senegalesa, referência aos eventos ocorridos no norte da África, encorajaram movimentos organizados e deram visibilidade para uma juventude comprometida com a circulação de ideias, com democracias estabelecidas fora dos partidos políticos fruto de uma sociedade civil que já não tolera com a mesma tranquilidade regimes militares e de partido único que só fazem agravar as desigualdades sociais. Junto às novas tecnologias essas jovens opiniões se disseminam desejando outras ordens para viver.


TRAJETOS NO ATLÂNTICO SUL


Os contextos socioculturais do Senegal não se ligam historicamente à experiência do Brasil africanizado – os povos africanos que fertilizaram a cultura brasileira vieram predominantemente das áreas de tronco linguístico Bantu e das regiões sudanesas de presença yoruba e ewe/fon – sua distribuição territorial e organização social no território brasileiro variaram conforme espaços e temporalidades específicas. No entanto, dada à dimensão transversal da diáspora, muitos elementos são familiares ao Brasil - a experiência viva da coletividade, da família extensa, dos quintais e outros elementos constituintes dos alicerces das culturas negras.


(...) A grandeza do negro
Se deu quando houve este grito infinito
E o muçulmanismo que contagiava como religião
Ilê-aiyê traz imensas verdades ao povo fulani


Senegal faz fronteira com Mauritânia e Mali
Os Seres ê ê ê, a tribo primeira que simbolizava
Salum, Gâmbia, Casamance, seus rios a desembocar
Mandigno, Tukuler, Uuolof, são os povos negros
E uma das capitais mais lindas hoje se chama Dakar (...)


Ecos de movimentos musicais nascidos nos anos de 1980: quem não se lembra da banda baiana Reflexu´s cujo Canto ao Senegal, emplacou nas paradas de sucesso? O tempero militante da produção musical da época, fruto próprio das poéticas dos blocos afro de Salvador, trouxe uma letra repleta de informações específicas sobre o país africano numa composição para a massa das grandes rádios e dos programas de auditório, tais quais Cassino do Chacrinha. Isso foi em 1987.


Algumas aproximações entre contextos senegaleses e brasileiros se deram a partir da arte. As turnês mundiais do Balé do Senegal, companhia criada em 1960 no bojo da construção do Estado independente, incluíram o Brasil diversas vezes. Nesses espetáculos as danças, cantos e músicas levadas ao palco reforçavam repertórios estéticos e poéticos tradicionais e realçavam identidades étnicas. Em edição de 1971 do Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, o fundador do Balé Nacional, Maurice Senghor (1926-2007) afirma: “queremos saber qual a reação do público diante de nossa cultura. O Balé não é só dança. Não queremos que o povo brasileiro aprenda só esse lado da nossa arte”. O depoimento do criador da Cia revela a dimensão de difusão cultural que tinha o grupo, mas a história mostra que, muitas vezes, sobressaia do olhar público uma interpretação semelhante a que fitava qualquer outra forma de arte africana: queriam-na exótica, percebiam-na rudimentar. Assim relata O Jornal (1971): “Domando o cabelo rude, as senegalesas conseguem com essas trancinhas um efeito singular”.


Excursionando pelo Rio de Janeiro, Belém, Porto Alegre, São Paulo, Salvador, entre outras cidades, os corpos em cena, as narrativas, o rico instrumental executado ao vivo e todo um mundo de bens simbólicos levados para cena, apresentavam Áfricas ainda desconhecidas. Não menos tocada pelo estranhamento, mas com um pensamento mais arejado sobre as dimensões culturais da dança é a crítica que Helena Katz faz, em 1980, na Folha de SP, intitulada Círculos de uma Dança de Poder, quando da vinda do Balé ao teatro Cultura Artística: “Mas não é pela naturalidade que emana do espetáculo que se pode supor não existir adestramento dos membros do grupo. Eles fazem coisas fantásticas. Dançam, por exemplo, em cima de longuíssimas pernas de pau, desenvolvem quantidade de giros tão assombrosa que desperta inveja em qualquer bailarino clássico apolíneo, e, acima de tudo, atingem uma velocidade nada menos que alucinada”.


O advento do Festival Mundial de Arte Negra (FESMAN) pode ser considerado um lugar de cruzamento do Brasil negro com o Senegal. Organizado pela célebre revista Presence Africaine, em parceria com o governo de Senghor, o encontro representou importante marco das artes e da cultura negra no mundo. Sua primeira edição, em 1966 , recebeu personalidades fundamentais para a história das artes - Aimé Cesaire, Duke Ellington, Mestre Pastinha, Alvin Ailey, entre outros artistas estiveram presentes. Em sua terceira edição, em 2009, o festival trazia como tema o Renascimento Africano e tinha o Brasil como homenageado. A polêmica e custosa estátua do Renascimento africano, inaugurada durante essa edição do Festival, provocou a pergunta: que renascimento é esse? Talvez a possibilidade dessas Áfricas serem do mundo; erguerem-se não só a partir dos quesitos de boa governança forjados e cooptados pelo mercado; alcançarem não só uma inserção no mercado global mas, sobretudo, no trânsito pela dignidade humana.


SENEGALESES NO BRASIL


O tema da migração tem gritado forte frente aos contextos de transformações gerados pela pseudo globalização. No Senegal, as narrativas de pessoas que rumam para Europa à procura de uma vida melhor são constantes. Ilhas Canárias, Itália, França, República Tcheca são destinos desejados cujo percurso frequentemente termina em muralhas, arame farpado, naufrágios ou metralhadora em riste. O passaporte senegalês, tal qual de todos os cidadãos africanos, não tem os carimbos necessários.


Entre as populações migrantes recentes aportadas por aqui, a senegalesa tem presença expressiva. Em inúmeros centros comerciais homens jovens esguios de um negro retinto, certamente escuro demais para o nível tolerável de melanina da nossa carnavalesca democracia racial, circulam com suas maletinhas repletas de miudezas eletrônicas e objetos de uso cotidiano como capas para celular, fones e relógios. São em geral homens que chegam com o objetivo de trabalhar e acumular rendimentos para si e para suas famílias.


Muitos chegam com vistos de um ano e outros pedem refúgio por questões econômicas. Muito embora ainda não tenhamos dados precisos, São Paulo, Acre, Paraná e Rio Grande do Sul são estados que tem recebido um número relevante dessas populações. Segundo o CONARE (Comitê Nacional para os Refugiados) - 2.575 senegaleses entraram com pedido de refúgio em 2014. Uma passada rápida por centros comerciais próximos às estações de metrô paulistanas, basta para reconhecê-los em atividade. Se é árduo ser negro/negra num convívio racista como o de São Paulo, ser negro e africano pode ser pior, já que essas pessoas chegam no país sem a devida consciência da perversa especificidade do racismo por aqui. Recentemente na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, um jovem senegalês teve o corpo queimado enquanto dormia. Quanto mais forte o negro da pele, mais afiada é a faca que te corta a carne.


Talvez a entrada no Brasil seja menos dura em comparação com países da Europa. Veremos se o Estado e a sociedade civil brasileira serão capazes de olhar para essas chegadas sem os óculos do racismo, abrindo caminho para novas formas de comunidade e mobilização de diásporas.


SABAR - CHARME CONTUNDENTE


“Já era tarde da noite quando, do quarto, ouvi uma orquestra percussiva forte e envolvente. O corpo seguiu como se por hipnose. Ao virar a esquina uma multidão se agrupava. Adultos, crianças e, sobretudo jovens. Cantavam em coro de vozes femininas algo em wolof. O canto, tal qual a música, era coletivo. Uma convocação. Num enorme círculo as pessoas se espremiam para assistir ou participar das performances. Alguns traziam no canto da boca aquele apetrecho tão comum no dia a dia – o Sotcho – raiz cujo composto ativo embranquece e fortalece os dentes. Na plateia uma área de distinção para visitantes se destacava - eram toubabs confortavelmente sentados e vestidos estranhamente com modelitos senegaleses. No centro do círculo, moças e rapazes discorriam seus discursos de corpos em provocação. Tal qual a dança a roupa falava por si - muito brilho e acessórios. Meia noite em Yoff. Dormir seria impossível”.
(Diário de Campo, Janeiro de 2010)


O Sabar é um complexo cultural que agrega dança e música originário das famílias de griôs wolof e muito popular em Dakar.


Na sua base um repertório de passos predominantemente aéreos, exige leveza e agilidade, consciência em relação ao tempo e ritmo. A capacidade de articular esse conjunto de informações na improvisação traduz o apelo sedutor e complexo do Sabar.


Os códigos da música e da dança são apreendidos na convivência do cotidiano. Existe uma fórmula com base na repetição de cinco tempos - fundamento constituinte do jogo. Grande parte das cerimônias coletivas tem o Sabar como elemento importante. Além de casamentos, batizados e cerimônias para abertura de eventos esportivos, há Sabares organizados por figuras populares ou célebres, que normalmente bancam a estrutura para a festa acontecer na rua. São os chamados Tanebers - espaço certo para grupos de bailarinos, visitantes e estrangeiras curiosas e sagazes - como os grupos de mulheres japonesas que frequentam cursos de verão em Dakar. Vê-las solando nas festas é formidável. A exuberância se revela no corpo que dança, mas também no vestuário. Discrição não é o mote.


Os estilos e temas são constantemente reinventados a partir do repertório tradicional - fass, bar mbaye, tieboudiane... são alguns deles. Geralmente possuem quadrinhas cantadas na parte inicial do ritmo, cujo conteúdo remete à curiosidades da vida cotidiana.


Há certa irreverência, quase uma ironia, na performance do bailarino que sola ao centro do grande círculo: esse atrevimento é expresso através de diversos códigos de comunicação entre o corpo que dança e o percussionista solista. A estrutura musical, composta por instrumentos com vozes variadas produz uma unidade rítmica explosiva e complexa. Na família instrumental do Sabar diferentes tonalidades permeiam a instrumentação, entre elas: o Tchow, N'derr, M'bung e o Talbut - membranofones de formatos e dimensões específicas. O aprendizado dessa intricada comunicação entre música e dança passa por cantar o ritmo, apreendê-lo na oralidade e então fazê-lo vivo na mecânica corporal - não por acaso, quando aprendemos o Sabar devemos cantar o ritmo até que o corpo absorva e "fale".


Outras reflexões poderiam ser feitas a partir da cultura musical e corporal do Sabar. Sendo intrínseco da cultura senegalesa, é um fato social para perceber relações de gênero, de raça e outras vielas. Como cantavam os amigos de lá: “Tchosa nurel ken dukodiel diko saganê” - Não se brinca com a cultura/tradição de um país.


COMPASSO DE ESPERA?


O Senegal de transformações em processo tem desafios profundos. O movimento existiu e existe. Na obra do historiador Cheik Anta Diop (1923-1986) e suas teorias que reconectaram a África pré-colonial ao resto do mundo; na filmografia de Ousmane Sembene (1923-2007); nas gentes que se misturam nas ruelas do mercado Sandaga; na ironia de Hyenas, filme de Djibril Diop Mambety (1945-1998); na literatura feminista de Mariama Ba (1929-1981); na crítica efusiva da escritora Fatou Diome; nas produções três chic da estilista Adama Ndeye, criadora da Fashion Week Dakar; no legado de Doudou Ndiaye Rosee (1930- 2015), mestre que fez ecoar a música senegalesa no mundo; na narrativa trágica e contundente dos Tiralleurs, antigos combatentes senegaleses recrutados para as frentes de batalha francesas na primeira e segunda guerra mundial; no Acro Roller, movimento de patins e skate de Dakar; no festival de dança Kaay Fecc; nos autorretratos do artista visual Omar Victor Diop; na destreza da percussionista Ndeye Seck, membro da equipe de musicistas da Ecole des Sables e única mulher que vi liderando uma orquestra de Sabar.


Há mundos no Senegal. Processos de transformação e transição.
Miramos o Atlântico e, contrário daqueles séculos em que haviam portas sem retorno, hoje escolhemos as portas que desejamos atravessar.





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Ofereço estas linhas à memória viva do cineasta El-Hadji Samba Saar (1968-2010), que em 2009 apresentou-me as diversas faces da cena urbana de Dakar. Samba partiu cedo e repentinamente, mas deixou, além da lembrança de sua sincera generosidade, uma importante filmografia.







PARA VER


Semillas que el mar arrastra
El Hadji Samba Saar
2007



PARA OUVIR


Joko
Youssou N´Dour
2000



PARA LER


El Hadji Sy – Painting, Performance, Politics
Weltkulturen Museum
2015


Nações Negras e Cultura
Cheikh Anta Diop





LUCIANE RAMOS SILVA é Antropóloga, bailarina e mobilizadora cultural. Doutoranda em Artes da Cena e mestre em antropologia pela UNICAMP. Bacharel em Ciências Sociais pela USP. Atua nas áreas de artes da cena, estudos africanos e educação.

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